Washington ameaça sancionar Omã em caso de cooperação com Teerão no Estreito de Ormuz

Washington ameaça sancionar Omã em caso de cooperação com Teerão no Estreito de Ormuz

O secretário do Tesouro norte-americano ameaçou, esta quinta-feira, sancionar o Sultanato de Omã, um aliado tradicional dos EUA, caso o país coopere com Teerão no controlo do Estreito de Ormuz.

RTP /
Embarcações navegam no Estreito de Ormuz, ao largo de Musandam, Omã, a 22 de maio de 2026 Reuters

"O Governo dos Estados Unidos não tolerará qualquer tentativa de estabelecer um sistema de portagens no Estreito de Ormuz", escreveu o secretário do Tesouro, Scott Bessent, no X.

"Omã, em particular, deve saber que o Tesouro dos EUA perseguirá implacavelmente qualquer ator envolvido, direta ou indiretamente, no estabelecimento de uma portagem no Estreito, e que qualquer parceiro cúmplice será sancionado", acrescentou. Omã é um sultanato e aliado dos Estados Unidos no Golfo há décadas, com acordos comerciais e de defesa mútua. Apesar de não acolher nenhuma base militar norte-americana, as forças dos EUA têm autorização para usar aeroportos e portos omanitas. O pequeno Estado é ainda conhecido pela sua neutralidade diplomática, que lhe permite um papel de mediador na região.

A possibilidade de cooperação entre as autoridades irianianas e omanitas no controlo de Ormuz, através do pagamento de portagens, surgiu no início de abril de 2026.

Nessa quinta-feira, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros Irão, revelou que o país estava a trabalhar com o sultanato no sentido de estabelecer um "protocolo" de forma a garantir, "em tempos de paz", a segurança no Estreito.

“O projeto deste protocolo encontra-se na fase final de preparação. Assim que estiver pronto, iniciaremos negociações com Omã para elaborar um protocolo conjunto”, afirmou Kazem Gharibabadi à agência russa Sputnik.

Todos os navios que transitarem pelo estreito em tempos de paz deverão possuir as autorizações necessárias dos Estados ribeirinhos [Irão e Omã] e obtê-las com antecedência”, acrescentou.
Comportem-se, ou...

O presidente dos EUA, Donald Trump, fez, esta quarta-feira, uma ameaça militar contra o sultanato, afirmando que os EUA irão "pulverizá-los" caso o país do Golfo tente congestionar ou controlar o acesso marítimo através do Estreito de Ormuz, aliando-se ao Irão. 

"Omã irá comportar-se como todos os outros, ou teremos de pulverizá-los", disse Trump.

Omã ainda não respondeu às ameaças. Os comentários de Trump, feitos durante uma reunião do gabinete na Casa Branca na quarta-feira, 27 de maio de 2026, provocaram ondas de choque na região, com alguns analistas a admitirem que Trump se tivesse enganado ao mencionar Omã.

O presidente respondia à possibilidade de um futuro controlo do estratégico Estreito de Ormuz por parte dos países vizinhos, Omã e Irão, cenário que rejeitou.

O Estreito vai manter-se "aberto a todos", prometeu. "Estas são águas internacionais. Vamos monitorizá-lo, mas ninguém o controlará."

Poucas horas depois, o seu governo anunciou sanções económicas contra a nova agência criada por Teerão para cobrar taxas de navegação no Estreito de Ormuz, denominada "Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico" (PGSA).

O responsável pelo Tesouo, Scott Bessent, que lidera as sanções, ameaçou também incluir nas listas negras indivíduos e organizações que pagam portagens ao Irão para transitarem pelo Estreito.

O sultanato de Omã fica no sudeste da Península Arábica, na Ásia Ocidental, fezendo fronteira terrestre com a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Iémen. A costa de Omã é banhada pelo Mar Arábico a sudeste e pelo Golfo de Omã a nordeste.
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